Close

1-MINUTO

+ 3 MINUTO

terceiro minuto

+ OUTRO MINUTO
Give us a brief description of the service that you are promoting. Try keep it short so that it is easy for people to scan your page.

14 de março de 2014

Revista Foco – TDAH

*  Revista-foco-tdah-jpeg

Entrevista na íntegra para Revista Foco

Muitos pais têm dúvida na hora de escolher a especialidade que deve procurar para seus filhos que apresentam dificuldades de ordem psicológica, seja na escola  ou com suas relações familiares e sociais.

IMG_0249

  • Para que possamos ajudá-los na escolha de um profissional adequado, qual seria mais indicado: o Psicólogo, o Psicanalista ou o Psiquiatra?

Atualmente, em Brasília, há inúmeros e excelentes profissionais, o que  possibilita aos pais buscarem esclarecimentos e ajuda terapêutica para seus filhos, tanto com o Psicólogo, Psicanalista ou Psiquiatra. 

Cada um deles, de acordo com a sua área de especialização, tem instrumentos e métodos que possibilitam identificar e fazer um diagnóstico correto da situação.

A escolha pode ser a partir do que está mais acessível naquele momento e que cause menos estranheza ou mal estar para a criança ou jovem que se submeterá à consulta para avaliação  e possivelmente a tratamento.

Ressalte-se que a atuação multiprofissional envolvendo a psicologia, psiquiatria e neurologia proporciona, em geral, um resultado mais abrangente e bastante positivo. Por exemplo, quando o Psiquiatra ou Neurologista conduz o processo medicamentoso se valendo também da ação compartilhada do Psicólogo que acompanha a criança, os resultados são mais acertados e eficientes, compondo uma abordagem ampla e segura para o paciente assistido.

Vale o alerta de que, qualquer que seja o diagnóstico, é muito importante cuidar para não se criar nenhum tipo de taxação ou mal-estar para a criança.

É na forma como os pais conduzem a situação que a criança vai assentar a sua tranquilidade e segurança de que está tudo bem com ela e que a busca e início de um tratamento com algum profissional é apenas uma nova maneira de lidar com o seu cotidiano.

  • Quais os principais transtornos que podem ser identificados ainda na infância?

A referência para responder a essa pergunta é o DMS – Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais) e o CID – Classificação Internacional de Doenças. São instrumentos que relacionam um sistema de classificação que organiza e classifica os distúrbios, transtornos, perturbações e disfunções.

Contudo, essa questão não pode ser respondida de forma definitiva porque, atualmente, muitos transtornos e perturbações mentais são atribuídos aos fatores sociais que envolvem o estilo de vida e o meio sociocultural em que  a criança está inserida. 

A identificação do que é doença também se altera em cada sociedade e período histórico. Comportamentos que antes eram tidos como inaceitáveis e doentios, hoje podem ser considerados naturais e até incentivados como forma legítima de expressão.

Por outro lado, de acordo com os avanços tecnológicos e estudos, vão-se identificando a causa, sintomas e tratamento de novos transtornos que vão sendo descobertos e classificados.

Vale ressaltar que é comum observarmos que as crianças que apresentam uma doença psicológica não costumam exibir manifestações físicas aparentes.

Distúrbios, transtornos ou perturbações são comuns surgirem a partir da idade escolar, que é o momento em que a criança se expõe e tem a oportunidade de ser comparada com os outros da mesma faixa etária e condições psicossociais. 

Entre as doenças que são  recorrentes na faixa etária das crianças e jovens está o déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), que é identificado como um transtorno clínico que compromete o desenvolvimento, aprendizado e as relações sociais. Essa é uma doença de ordem comportamental que hoje é possível identificar, diagnosticar e tratar com uma grande expectativa de excelentes resultados.

 

 Constatamos hoje um excesso de indicações de tratamentos a base de medicamentos para o déficit de atenção/Hiperatividade (TDAH).

  • Isso pode ser perigoso?

Tudo que é excessivo é prejudicial, valendo também para os medicamentos.

Talvez o foco deva estar em escolher bem os profissionais que vão acompanhar e proporcionar o tratamento. Digo profissionais, porque uma maneira mais abrangente é a forma multiprofissional, onde a pessoa é acompanhada tanto pelo Psicólogo, Psiquiatra e Neurologista, assim como por outros que podem compor a maneira mais adequada para promover um ajuste e desenvolvimento completo de quem ainda está em formação e sofre com alguma disfunção.

Qualquer orientação medicamentosa deve ser precedida dos cuidados necessários que envolvem uma completa anamnese (avaliação) e outros procedimentos que um bom profissional detêm pela natureza da suas atividades rotineiras.

Meio a tudo isso, é importante ressaltar a complexidade de elaborar um diagnóstico na justa medida de uma disfunção psíquica. Isso nos leva a afirmar que esse processo analítico de que se vale o especialista ao exame de uma doença ou de um quadro clínico extrapolam os limites do consultório, devendo-se levar em conta aspectos hereditários do paciente e seu histórico das relações que desenvolve com outras pessoas.

O que não pode ocorrer é a exposição da criança a um diagnóstico e prognóstico equivocados, muitas vezes decorrentes de angústia, ansiedade ou pressa de quem atende ou de quem busca o atendimento. É necessário que as pessoas envolvidas (profissionais, pais, escola) se disponham a efetivamente dedicarem parte de seu tempo para a busca conjunta de condições necessárias para uma correta avaliação e determinação de um tratamento efetivo.

 

  • Como a psicoterapia pode ajudar no tratamento do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH)?

De forma direta e indireta, a psicoterapia é essencial nessa composição multiprofissional no tratamento da déficit de atenção/hiperatividade (TDAH). A Psicologia dispõe de inúmeras abordagens com resultados significativos e positivos.

Temos muito bons profissionais preparados com especialização e experiência que podem utilizar técnicas atuais capazes de produzir efeitos a médio e curto prazo.

Não importa se a abordagem psicológica é humanística ou  comportamental. O que vai fazer a diferença é a sensibilidade do Psicólogo em utilizar todos os recursos que tem disponível para proporcionar o alívio ou a cura definitiva.

A partir da experiência clínica, utilizo um conjunto de procedimentos e técnicas, tais como a hipnose, ampliação de sonhos, EMDR (técnica para lidar com conflitos complexos), técnicas de respiração e concentração/atenção. Os resultados são evidentes e amplos. É possível perceber os efeitos se propagando depois de encerrado formalmente o processo terapêutico.

         Também costumo ressaltar que, quando se trata de crianças e jovens, não é apenas eles que necessitam de atenção e espaço. As relações não são constituídas unilateralmente e os pais também devem se dispor a analisar e considerar que alguns aspectos, ideias e formas de relacionamento impactam o desenvolvimento psicológico de seus filhos.

         No que se refere aos resultados propriamente ditos de uma terapia na vida de uma pessoa, é perceptível observar desde os pequenos progressos na execução de algumas simples atividades, como também a superação de grandes dificuldades emocionais de lidar com determinadas situações que tenderiam a se repetir.

 

  • Quais os comportamentos que justificam buscar ajuda?

Toda e qualquer situação que traga sofrimento e se repita ao longo de um período, seguido da incapacidade de encontrar uma solução, é um indício de que a pessoa pode ser assistida para evitar o prolongamento de sofrimentos que não acrescem nem valorizam a vida.

Quando um paciente chega ao consultório com o histórico de um comportamento que se destaca, evidenciando a desatenção, agitação ou hiperatividade, sempre busco averiguar com muito cuidado os sintomas e o contexto psicossocial envolvido antes de concluir que se trata de transtorno do déficit de atenção (TDAH). Sempre que possível também procuro atuar com uma abordagem multidisciplinar, incluindo outros profissionais. Essa cautela é necessária para que não hajam equívocos na condução do processo psicoterapêutico.

 

Valmor Borges (CRP 11269)
Psicólogo Clínico

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *